sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A PROVA REAL

Tomei uma das decisões mas difíceis da minha vida e por isso não tenho vindo aqui. Não vou ser operada. Seja o que Deus quiser. Esta decisão compara-se a decidir não fazer quimio ou radioterapia: sabe-se que não se vai melhorar e que dia a dia é um dia que tem que ser vivido em pleno, para aproveitar o que nos resta ainda de qualidade de vida. Neste mês tive a opinião de um neurocirurgião de Milão e do meu neurologista, ao não à operação. Entre um não/sim do meu neurocirurgião e os dois "não", optei pelo não. A operação seria de alto risco e não era garantido se o processo de degeneração da medula seria minimizado. Portanto passei a viver com uma "espada" em cima da coluna vertebral. A vida dá cada cambalhota que temos de ter muitas reservas positivas para aguentarmos o embate. E eu, graças a Deus, tenho tido e vou arranjando com pequenas coisas que me ajudam a ser serena e estar de bem com a vida. E a isso se pode chamar felicidade!

domingo, 24 de agosto de 2014

UM SINDROME DIFÍCIL

Já há muito que não sentia tão forte esta sensação de ninho vazio. É mesmo um vazio. Fico com óptimas recordações de todos os momentos passados em família e com eles me irei "alimentar" no dia a dia. Contudo e pelo menos à dois anos para cá tinha, depois das partidas, a meta de uma putativa recuperação motora, de adaptação a novos locais e isso punha-me noutra "onda". Agora o futuro é outro. Só sim ou não. Sim a ser operada novamente e caso corra bem será somente para não piorar ou, não, e deixar correr o "marfim" até onde me deixa ir este "fiozinho" de medula. Como diz o outro, que venha o diabo e escolha!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

CAMINHANDO UM CAMINHO

Depois de um mês de hospital e porque não havia vagas na U.C.C. em Esposende, fui transferida, de ambulancia e de maca, que nunca tinha andado, para a U.C.C. na Areosa, paredes meias com Viana do Castelo. Entrei num "hotel" de 5 estrelas. Instalações modernas e bonitas, vista magnifica, refeições tão boas como em casa, e uma suite, só para mim com casa de banho enorme, kitchenet e varanda! Senti como uma recompensa depois de um mês metida num contentor do S. João. Deitada via o mar e como estava sozinha, fazia o que queria desse aposento. Tinha sempre visitas e enfermeiras e auxiliares juntavam-se lá à conversa. Fazia-se aí o "jornal da caserna"! Ficava a par de tudo o que se passava na Unidade. De manhã tinha fisioterapia e andava contente porque era mais intensa do que a que fazia anteriormente. Hoje, olhando para trás, vejo como foi pouca para a minha recuperação. Aguardei dois meses até voltar a mudar de "poiso". Conheci pessoas encantadoras como a Rosa, Fernanda e a Maria. O corpo de enfermagem e auxiliares impecáveis. Claro que também tive o apoio da minha psicóloga, a mesma que me acompanha desde a morte do Afonso. Se pudesse definir diria que esses dois meses estive no "ceu"!

terça-feira, 5 de agosto de 2014

INICIO DE UM CAMINHO CAMINHANDO!!!

Uma página em branco à nossa frente é assustador. E quando temos pedido de marido, filhos amigos e seguidores para recomeçar ainda pior! Estive 2 anos fora destas "lidas", apesar de muita vivência para descrever mas aí também o pensamento atabalhou-a-se de acontecimentos, de peripécias, de momentos e torna-se difícil "puxar" o fio à meada. Irei descrever os locais onde "estagiei" pois todos têm a sua história. Há um ano estava no Hospital de S. João. Apesar do internamento de neurocirurgia funcionar em contentores estava num sozinha com TV. Isto devo-o ao Prof. Rui Vaz. Estava feliz! A cirurgia tinha sido um sucesso e eu tinha, como os médicos, muita esperança numa recuperação com bons resultados. Todo o pessoal, desde médicos, enfermeiros, auxiliares, tinham muito deferimento comigo pois eu era a "menina" do Prof., director desse serviço. A pequeno almoço traziam-me sempre um Nespresso ao quarto assim como depois do almoço. Dormia de janela aberta à noite sentindo o cheiro do Verão lá fora. Para mim foi a recompensa de ter decidido e sozinha, a operação que me desgastou muito emocionalmente. O meu anterior blog - http.bacouca blogspot.com, termina nessa fase. Sofri muito, ponderei todas as hipóteses de algo correr mal na operação. Comecei a divagar para onde iria de seguida fazer a recuperação. Foi aí que tomei conhecimento de Unidades de Cuidados Continuados pois o Centro de Reabilitação do Centro, na Tocha, era longe para mim nessa altura. Hoje arrependo-me de não ter ido logo para lá. Haviac a U.C.C. em Esposende. Em quando não houve vaga e passado exactamente um mês no Hospital de S.João, fui transferida para a U.C.C. na Areosa a 10minutos de casa. Ouro sobre azul!!!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

BALANÇO

Faz hoje dois anos que fui submetida a nova operação à medula. Processo de alto risco mas que correu muito bem: "desancoraram" uma zona da medula que estava presa com aderências. Deu-se início a um processo longo, devido à minha permanência em centros de reabilitação, processo esse começado com grandes expectativas de voltar a andar até à conclusão de que isso não era possível em Novembro de 2013. Agora estou a precisar de ser operada novamente mas tudo foi adiado pois parti a perna. Só eu para cair de uma cadeira de rodas e fracturar o fémur. Espero que este atraso não seja maléfico para o travar o agravamento da minha mobilidade. Balanço: neste momento voltei à estaca zero relativamente a 2012.

sábado, 26 de julho de 2014

MOEDA COM 2 FACES...

Ontem fui resolver um assunto para futuro. Tenho que estar ciente e actuar, para que o meu Vabenne tenha as "suas" férias. Uma semana ou 15 dias fora de preocupações, horários, trabalhos caseiros. Precisa e é, acima de tudo, necessário e fundamental. Fomos visitar uma Residência, mais conhecido por Lar, onde podemos passar lá a velhice, ou temporariamente dias ou meses. Gostei do ambiente. Eu já sabia que ia gostar, pois é necessário! Há quartos individuais com casa banho privativa, Tv,internet e uma varanda para o pinhal. É mesmo isso que eu preciso. Para o ano sou eu que vou dar férias ao Vabenne!!!

quarta-feira, 7 de maio de 2014

UM DIA MARCANTE...7 DE MAIO DE 1993.

Faz hoje 21 anos que fui operada a um tumor na medula. A esta hora já estava nos cuidados intensivos do Hospital de S.João, depois de uma longa cirurgia de 12 horas. Quando me levaram para a enfermaria dos C.I.,lembro-me de ouvir o enfermeiro dizer: chamo-me Francisco e eu pensar: estou no paraíso! Foi uma cirurgia inédita para a época e dos 3 neuro-cirurgiões presentes, o principal disse-me, mais tarde, que tinha perdido 3Kg. Isto porque eu, quando fiquei lucida, perguntei primeiro pelo neurologista, por quem tinha e tenho, uma grande estima. Foram 11 dias nos C.I. com uma recuperação fabulosa, a qual dediquei a N.Sra. de Fátima. Para mim, Ela tinha iluminado aquela equipa médica. Só podia! Depois fui para casa dos meus Pais, para continuar a fisioterapia numa clínica. Todos os dias o meu Pai levava-me de cadeira de rodas e esperava pacientemente, e com o seu ar bondoso e doce, que eu acaba-se a sessão. A minha Mãe foi uma enfermeira como nunca mais tive! Eu passei a ser um caso de estudo, com sucesso cirúrgico, e uma reabilitação fora de série. É preciso dizer que me davam 8 meses para voltar a andar e eu, ao fim do 4º mês já tinha recomeçado o meu trabalho!!! Foi ou não foi milagre? Eu não tenho dúvidas.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Á TERCEIRA É...DE VEZ!!!

Não vou esperar mais. Já passaram quase 2 anos que escrevi no anterior blog "Bacouca". Dois anos tão importantes na minha vida: nova operação à medula e estadias de períodos de 2 a 3 meses fora de casa para reabilitação na esperança de recuperar da falta de mobilidade. Tinha tanta esperança de não ficar numa cadeira de rodas mas, isso não foi possível por qualquer razão que a razão cientifica e médica não sabe! Dois anos de intensiva actividade fisioterapeutica, de altos e baixos a nível emocional e de readaptações à nova realidade. Tudo muito forte e só bem conseguido e ultrapassado com o "beber" à minha fonte, que durante os anos anteriores, foi tendo as suas óptimas formas de acumulação. Sei que sempre tive o apoio incondicional da família e amigos mas, o mais importante, foi "sugado" a mim própria. Agora e aqui, vou contar estas minhas experiências, intercalando com assuntos que surjam no dia a dia e dignos de nota.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

FICO AQUI OU RETORNO Á "CASA" INICIAL?

Tentei, todas as voltas possíveis,re-escrever no meu blog A BACOUCA, sem o conseguir. Gostaria de voltar a "conversar" naquele local pois alí já está muito de mim. Recomeçava agora, nesta minha nova fase, não deixando de o dedicar a ti querido Afonso. Se não o conseguir farei aqui. Dois anos passaram-se sem escrever e agora sinto que seria a altura de recomeçar. Passei por novas experiências que, fáceis ou dolorosas, me fizeram "crescer" e enfrentar a realidade com calma e alma. Tentarei, com a ajuda de alguém expor-me no blog inicial, mas se não for possível, ficarei por aqui. O outro blog já contava com 4 anos de vivências escritas de uma maneira "soft". Aqui, e agora, será de maneira nua e crua! Até já ou...adeus!